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Archive for setembro \27\UTC 2010

O ronco profundo do Yucumã, o compasso pesado das passadas da anta, os saltos alegres do tapiti,  o vôo colorido dos araçaris, o canto apaixonado dos urus nas noites de lua cheia e o rugido da onça ecoando nos cedros, grápias e canjeranas. Tudo isso pode desaparecer do Rio Grande do Sul, para sempre…

Salto do Yucumã, maior salto longitudinal do mundo. P. E. do Turvo (Foto: Eduardo Ross)

O complexo hidrelétrico Garabi, previsto pelos governos da Argentina e Brasil para 2012, pode alagar uma área extremamente importante do ponto de vista cênico e de espécies ameaçadas. A região que seria alagada compreende parte de uma grande área de preservação binacional de 80 mil hectares, onde está localizada o maior salto longitudinal do mundo, o Salto do Yucumã, com 1800 metros de extensão. Do lado brasileiro (17 mil hectares) está o Parque Estadual do Turvo (RS), a primeira unidade de conservação estadual e a maior área florestal protegida do estado. Graças à reserva lá existem animais ameaçados que não se encontram mais em nenhum lugar do estado, como algumas citadas acima.

As autoridades afirmam, mas não garantem que a área não será alagada.

Segue a notícia da Ecoagência sobre as aproximadamente 5 mil pessoas que moram no entorno do Parque e estão preocupadas com a situação do empreendimento.

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Projeto registra temor e desinformação sobre hidrelétrica binacional

Equipe de Jornalismo do Cesnors/UFSM desenvolveu o projeto Diversidade Ambiental: Ribeirinhos do Rio Uruguai e moradores do entorno do Parque Estadual do Turvo.

 

Ameaça real e imediata. Uma situação factual do cotidiano deu início a um inédito projeto de educação ambiental e jornalismo. O anúncio pela imprensa, em 2008, de que os governos do Brasil e Argentina uniriam esforços para construir hidrelétricas no Rio Uruguai, o complexo de Garabi, despertou a curiosidade do professor e jornalista Carlos Dominguez. A possibilidade de a nova usina deixar o Salto do Yucumã e o Parque Estadual do Turvo submersos levou o professor e mais quatro alunos a conhecer a realidade e praticar a educação ambiental aplicada ao jornalismo.

Por mais de dois anos a equipe do Curso de Jornalismo do Centro de Educação Superior Norte – RS (Cesnors/UFSM) desenvolveu o projeto Diversidade Ambiental: Ribeirinhos do Rio Uruguai e moradores do entorno do Parque Estadual do Turvo. Neste período, utilizando técnicas jornalísticas, foram realizadas gravações com os moradores do entorno do parque, no município de Derrubadas, sede do maior parque estadual gaúcho e último lar da onça pintada no Rio Grande do Sul. Além do registro em vídeo das histórias de vida e manifestações culturais típicas no contato com a terra e a mata, explica o professor, foi trabalhado o discurso ambiental, em especial com a questão de viver próxima a uma área de preservação e as contradições que este fato gera.

O material recolhido resultou em um vídeo-documentário ao estilo grande reportagem de telejornalismo, com 30 minutos, mostrando a opinião de moradores e autoridades locais sobre o problema que a criação da usina teria para a população de Derrubadas. Este vídeo, num segundo momento, foi levado para a rede escolar municipal, onde alunos da primeira a oitava série assistiram a uma palestra, a reportagem, olharam fotografias e, ao final, realizaram um plantio de mudas nativas. “Além do trabalho de campo, no mesmo período de tempo foi sendo recolhido material na mídia impressa e sites de veículos de comunicação que tratavam do tema Usina de Garabi. Ali estão sendo analisados os fluxos dos discursos ambientais por meio da análise do discurso.”, diz Dominguez.

Como resultado parcial do trabalho de extensão junto à população, foi possível verificar, de acordo com os acadêmicos Clarissa Hermes, Letícia Sangaletti, Lucas Wirti e Mariana Correa, uma grande desinformação sobre a questão da barragem e o possível alagamento do Salto do Yucumã. Já no lado argentino, na localidade de El Soberbo, foi verificado junto aos depoimentos recolhidos a existências de mais informações sobre Garabi e os efeitos da usina sobre o ambiente local. É interessante destacar que tal fato se deve a somente a população argentina explorar turisticamente o potencial do Salto do Yucumã com hotéis, pousadas e passeios de barco. No lado brasileiro não há exploração turística significativa.

Esta população, de aproximadamente 5 mil pessoas, mora no entorno do parque. Geograficamente, o Rio Uruguai divide uma grande área binacional de preservação de floresta subdecidual de aproximadamente 80 mil hectares, sendo 17 mil hectares no Brasil e o restante na Argentina, no parque provincial de Moconã. Exatamente no centro desta área encontra-se o Salto do Yucumã (Salto del Moconã em espanhol), a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1,8 quilômetros de extensão. “Além da inigualável beleza paisagística, o local é um dos últimos habitats de inúmeras espécies da fauna e flora, além de inquestionável biodiversidade”, diz Dominguez.

De acordo com Dominguez, tudo isto está ameaçado de não mais existir a partir de 2012, data prevista para começarem as obras do empreendimento binacional, mas já existe um movimento na sociedade civil pro-Yucumã.

Acompanhe mais sobre o assunto no blogue  Salve o Salto do Yucumã.

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Manifestantes em frente ao IBAMA (Foto: Beatriz Aydos)

Nesta tarde de quinta-feira, dia 23 de setembro, ocorreu uma manifestação de cerca de 100 pessoas, em grande parte estudantes de Biologia e ambientalistas, em frente à sede do IBAMA do Rio Grande do Sul, contra a construção da hidrelétrica de Pai Querê. A manifestação teve um ato simbólico de um caixão com ramos de araucária, sendo a frase que marcou o ato foi “Pai Querê, pra quê?” A obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento, visa a produção de 292 MW, o equivalente a um parque eólico e está prevista para o rio Pelotas, entre os municípios de Bom Jesus e Lages, justamente em uma das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do Brasil (MMA, 2007).

 

Manifestantes em frente ao IBAMA

 Os ativistas reclamam que esta seria a quinta hidrelétrica de grande porte, em série, no mesmo rio e incidiria em uma região de maior ocorrência de espécies ameaçadas do vale do rio Pelotas, provocando a morte de 200 mil araucárias (mais detalhes).

O ato foi provocado pela possibilidade da emissão da LP (licença prévia) ainda este mês, pois a pressão do Ministério de Minas e Energia e da Casa Civil é muito grande.

Nesta quinta-feira também foi entregue uma carta ao Superintendente do IBAMA, João Pessoa Moreira Jr., que também resultou em uma pequena audiência com um grupo de oito manifestantes que foram recebidos em seu gabinete. Estes reclamaram a falta de informações sobre o andamento do processo, e a questão da não definição de audiências públicas, além de destacarem que todos os indicadores apontam para a inviabilidade da obra.

Manifestantes em frente ao IBAMA (Foto: Beatriz Aydos)

O Superintendente declarou que o licenciamento do empreendimento está a cargo da Direção de Licenciamento do órgão, sediada em Brasília e que não estão autorizados a intervir no processo. João Pessoa ressaltou que fez contato recente com a coordenação do setor em Brasília a garantiu que encaminhará o documento a chefia do órgão. A posição centralizada em Brasília, quanto aos licenciamentos de obras do PAC, tem a justificativa da prioridade destes empreendimentos para o governo federal, apesar de que Pai Querê agregaria menos de 5% à energia já produzida pelas hidrelétricas da bacia.

Logo após o protesto, o grupo se deslocou em passeata em direção ao grupo RBS como forma de chamar a atenção dos meios de comunicação que até agora não tem noticiado nada em relação a esta grande ameaça à biodiversidade e às quatrocentas famílias que seriam atingidas e desalojadas pelo empreendimento.

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     Atingidos afirmam que 6 quilômetros de rio está praticamente sem água e cerca de 17 quilômetros tem a vazão reduzida em até 80%

A notícia é da EcoAgência:

Foto do dia 30 de agosto revela situação do rio Uruguai

Os atingidos pela Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, construída na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, denunciam que o fechamento das comportas para formação do lago, ocorrido no último dia 25, está causando um grande desastre ambiental com o secamento de parte do rio e morte de muitos animais. “Um trecho de 6 quilômetros do rio está praticamente sem água e cerca de 17 quilômetros tem a vazão reduzida em até 80%”, afirmam os atingidos.

     Já a montante da barragem, a água está subindo e inundando milhares de hectares de terra, encobrindo propriedades, matas e animais. Quando completo, o lago irá inundar uma extensa área de mata nativa, caracterizada como os últimos remanescentes da floresta do Rio Uruguai. Ao todo, o lago terá a extensão de 150 quilômetros, ou seja, são 150 quilômetros do rio Uruguai que irão desaparecer com a construção da barragem Foz do Chapecó.

     A barragem está localizada entre os municípios de Águas de Chapecó (SC) e Alpestre (RS) e o consórcio é encabeçado pela empresa privada CPFL, que sistematicamente, tem negado o direito de muitas famílias atingidas pela obra. Há mais de 10 anos, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem denunciando o descaso social e ambiental nos municípios da região e afirmando que as empresas do consórcio não estão preocupadas com o desenvolvimento local e sim com o lucro dessa construção.

     “Além do desastre que está acontecendo com o rio Uruguai, com essa barragem perderemos a qualidade do ar, a neblina aumentará muito e também perderemos nossos patrimônios históricos e culturais. Sem falar na perda da qualidade da água, pois com a inundação do lago, a grande quantidade de matéria orgânica apodrecerá e emitirá CO2 para a atmosfera”, afirmou uma das lideranças do MAB na região.

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     Hidrelétricas no Rio Grande do Sul: impactos sociais e ambientais é o tema do último número da IHU On-Line (Revista do Instituto Humanitas Unisinos. Número 341, 30/08/2010).

     “A matriz energética brasileira está em discussão. Qual seria a matriz mais sustentável, renovável, limpa e com menos consequências sociais e ambientais para o país? Este debate urge a necessidade de repensar o modelo das usinas hidrelétricas, com suas megaobras e grandes barragens. No momento em que o país debate com a situação do Rio Xingu sob o impacto da construção da hidrelétrica de Belo Monte, do Rio Tapajós com as usinas projetadas para serem construídas e os impactos no Rio Madeira com as usinas de Jirau e Santo Antônio, a IHU On-Line desta semana debate a construção de uma série de hidrelétricas no estado do Rio Grande do Sul” (IHU On-Line)

Acesse as reportagens:

RS. Uma calamidade social. Mais de 50 mil pessoas afetadas pelas hidrelétricas. (Paulo Brack)

A construção de barragens gera injustiças ambientais. (Eduardo Ruppenthal)

O RS pode mostrar para o Brasil como é possível repensar a matriz energética. (Alexandre Krob)

O Rio Uruguai, ao longo de todo o norte do Rio Grande do Sul, não existe mais. (Leandro Scalabrin)

O impacto das Pequenas Centrais Hidrelétricas. (Lisiane Hahn)

Hidrelétricas no Rio Grande do Sul: um caos generalizado. (Márcio Repenning)

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A Profa. Laura Verrastro do Laboratório de Herpetologia do Departamento de Zoologia da UFRGS dá seu parecer sobre a situação de uma espécie de lagarto e uma possível nova espécie de perereca, endêmicos dos campos de cima da serra, região prevista para a construção da AHE Pai Querê.

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Leia:

Conservação da Herpetofauna dos Campo de Cima da Serra

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